
As surpresas...
O sabor do desconhecido é realmente fascinante! Por mais que pensamos conhecer de tudo, sempre podemos ser surpreendidos, pois os freqüentadores mudam, o “clima” muda e suas companhias mudam. Foi assim que me senti quando me deparei com o País das Maravilhas, o clima era outro, tudo era novidade e eu fui guiada...
Fui guiada pelo escuro do desconhecido em busca da satisfação que minha mente e meus olhos tanto ansiavam... só sabia como iria entrar, e acreditei que sairia de lá como entrei, ledo engano...
Como é delicioso ser guiada! Ali eu era uma menina, uma iniciante, inexperiente sendo puxada por uma mão firme, detentora de todo conhecimento e de tantos pormenores. Uma mão que confortava, que me fez sentir segura e protegida...
A sensação que a inexperiência me causara foi semelhante ao me deparar pela primeira vez com o sexo... teoricamente, sabemos como agir, mas o que nos comanda é o clima envolto no ambiente e nas mais profundas intenções.
Nos raros momentos que minha euforia permitia, pude reparar nos olhares... todos os olhares tinham sexo e prazer estampados... como era deliciosa essa sensação... e esse clima me contaminou.
Entrei no desconhecido, a luz diminuiu bruscamente, as paredes ficaram estreitas, o som mecânico praticamente desapareceu dando espaço aos gemidos e sussurros... meu corpo vibrava e ardia.
A curiosidade nos fez parar e conhecer algumas partes de corpos alheios e desconhecidos... minha mão vasculhava um corpo, e sem o menor pudor encontrei o que eu queria. Naquele momento aquele órgão tão disponível e rijo era meu, estava em minhas mãos e eu acreditava ter o total domínio sobre ele... Não sei se o queria dentro de mim, na minha boca, roçando em meu corpo, mas estava adorando tê-lo em minhas mãos...
A posição em que estava proporcionou que meu guia se aproximasse mais, nossos corpos se encaixaram, e eu senti que ele poderia me guiar para outros lugares e sensações que eu não planejava... meu corpo esquentava, eu conseguia sentir a umidade que brotava de mim e os arrepios eram refrescados com suspiros e cochichos na orelha.
Eu não contava com essa inversão de papéis... meu guia estava deixando de apenas me apresentar o local, estava me apresentando às sensações que o mesmo poderia provocar, tive medo... algumas coisas poderiam se perder com essa troca acontecendo.
De repente, o mundo parecia não existir: o escuro parecia ter aumentado, éramos duas pessoas se acariciando e dois membros alheios sendo acariciados por nós, me senti plena... o medo deu lugar ao prazer, e eu só queria mais...
Aqueles órgãos que acariávamos por algum tempo, resolveram se acariciar mutuamente e saímos de lá. Fomos passando por outros lugares e nos deparamos com uma cena estimulante: uma mulher sentada, totalmente aberta e disposta para receber a língua sedenta de um corpo que se ajoelhava em sua frente... Aquele homem se ajoelhara, se submetendo ao poder que aquela fonte de prazer lhe causara...
Vimos essa cena por milésimos de segundos, mas eu conseguiria descreve-la com todos os minuciosos detalhes tamanho desejo e inveja que ela me causou...
Enquanto procurávamos outros corpos para tocar, ver, apreciar, paramos para nos tocar... por instantes o medo me tomou, me fez pensar nas perdas que a conclusão daquelas ações poderiam ocasionar... mas, por outro lado, ali estava o homem que por tanto tempo desejei e naquele momento ele era meu. Os beijos, os toques, os sussurros... aquilo me tirava qualquer controle que ainda me restava... Percebi que quando entrei estava sendo guiada, mas com essa aproximação eu já estava sendo possuída... me sentia propriedade única e exclusiva dele e minha vaidade não se importou, pelo contrário, ela estava adorando o que tudo isso poderia acarretar.
Maquiavélica!!! Enfim, se era pra ele ser meu assim, ou se fosse a primeira e última oportunidade de tê-lo, que assim fosse. Faça o que quiser, eu me rendo!
Rendida, já tendo ignorado qualquer responsabilidade juntamente com o último gole de tequila, e adorando a idéia do que isso poderia causar, continuamos... viramos os brinquedos! Dentro de um lugar privativo, continuamos a nossa exploração mútua.... Minha calcinha já estava no joelho e aquela mão que outrora me guiava pela escuridão e me protegia, agora me guiava ao prazer... Meus seios eram milimetricamente examinados com aquela língua deliciosamente sedenta... O prazer ia aumentando, e quando reparei mãos de todas as direções me acariciavam... Mãos masculinas e mãos femininas, disputavam meu corpo e vasculhavam minhas fontes de prazer... éramos os marionetes!
As pernas começaram perder a força, me apoiei na parede e percebi que a minha direita existia um vidro por onde eu conseguia ver o rosto de uma das mãos que mais me agradava. Era um homem mais velho, com cara de “chefe de família” e sua esposa ao lado, demonstrando timidez, parecia tentar esconder sua identidade... isso me incendiou, eu me sentia a amante, a traidora, a puta! Eu rebolava e acariciava sua mão, a levava para outras partes do meu corpo para que ele pudesse me conhecer, para que ele “traísse” ainda mais a mulher e ele parecia estar gostando.
Como esse amante apenas me cedia habilmente uma mão, aproveitava do corpo do meu guia, que estava ali, na minha frente... o acariciava, o beijava... outras mãos o incendiava, eu o ouvia pedindo que as pessoas o tocassem, o chupassem e naquela situação eu estava sendo a traída. Ele era o corpo que faltava para aquelas mãos, e eu era o corpo que faltava para as mãos que o serviam... eu não queria que esse momento acabasse. Ali eu estava sendo servida, tendo o homem que tanto desejei somente pra mim e estando no lugar que tanto gosto, no País das Maravilhas.
:)